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A Selva!/ The Jungle! (english version below)

Updated: Aug 21

Escrevo para vocês de dentro da Floresta Amazônica Peruana. E se fosse tentar descrever um pouco da experiência de estar aqui, eu convidaria você a se imaginar agora sentindo um calor úmido na sua pele, de uma umidade que se alimenta da chuva que cai constantemente. O seu olfato estaria familiarizado com o cheiro de terra molhada e com as folhas mofadas dos livros e cadernos, que devagar vão sendo devorados pala floresta. As flores existem em outros lugares, mas aqui é o verde que preenche nossos olhos. E a comunidade de árvores, uma ao lado da outra, invocam uma perspectiva diferente, sem a amplitude e vastidão que tem o mar e as montanhas. Elas te convidam a um olhar para dentro, num ensinamento simples, focado e poderoso. As distrações da cidade, aqui perdem seu glamour para a melodia constante dos pássaros, insetos, macacos, lagartos, chuva. Os sons que desejam te lembrar quem você é de verdade.


Sem energia elétrica e internet, você começaria cada vez mais se conectar com os ritmos da natureza. E perceberia brotar espontaneamente aquela compreensão instintiva que temos do mundo que nasce, vive e morre. Na floresta tem sempre algo morrendo, caindo, apodrecendo e sempre algo nascendo, brotando. Encantador. Você também poderia se surpreender com uma invasão de formigas pretas gigantes, descaradamente querendo compartilhar a cama contigo. Não vou nem mencionar as baratas, pois merecem um texto a parte, tanto aprendizado com as baratas rs. E talvez às vezes se pegaria freneticamente obcecada (o) por sua mente querendo alguma coisa que ela não tem, chocolate, pingado com pão na chapa, sorvete, água morna, qualquer coisa que a mente entende por conforto. Mas ao mesmo tempo você poderia ser agraciada (o) pela compreensão simples mas talvez assustadora que sim, não há nada para resistir, o chamado da floresta, da vida é o da entrega!!


Estou aqui no Templo há quase 2 meses, ensinando yoga, meditação, movimento e o jeito brasileiro de abraçar. Convivendo com pessoas de várias partes do mundo, desde o povo nativo do Peru, da tradição Shipibo até viajantes da Finlândia, Austrália etc. São vários mundos nesse mundo floresta, e cada um tem mostrado um país diferente dentro de mim mesma. Às vezes me lembro que é só relaxar mais na rede e simplesmente ser com mais tranquilidade, outras vezes sinto meu cérebro se alongando com as várias perspectivas de mundo. Mas talvez o maior aprendizado de todos vem do alegre lembrar de manter o meu coração aberto e livre!


Termino por aqui com um coração pulsante de gratidão a todos os mestres e a fonte inesgotável de sabedoria e amor que eles disponibilizam para todos nós. E finalmente minha enorme admiração e agradecimento à prática de cada um de vocês. Me conforta saber que estamos todos juntos buscando maneiras de viver com mais paz, amor e conexão com o outro e com nosso próprio coração.


In English:


I am writing from the Peruvian Amazon Jungle. And if I were to describe a little bit of the experience of being here, I would invite you to imagine yourself now feeling a damp heat on your skin, a moisture that feeds off the rain that constantly falls. Your nose would be familiar with the smell of wet earth and the mouldy pages of books, which are slowly being devoured by the jungle. Flowers exist elsewhere, but here is mainly the green that fills our eyes. And the community of trees, standing side by side, invoke a different perspective, without the openness and vastness of the sea and mountains. They invite you to look inside, to go inwards in a simple, focused and powerful manner. The distractions of the city lose their glamor to the constant melody of birds, insects, monkeys, lizards and rain. Those sounds that remind you of who you really are.

Without electricity and internet, you would start to connect more and more with the rhythms of nature. And you would have an instinctive understanding of how the world comes to life and dies spontaneously. In the forest there is always something dying, falling down, getting rotten and at the same time there is always something being born, sprouting. It is magical. You could also be surprised by an invasion of giant black ants, shamelessly wanting to share a bed with you. I won't even mention the cockroaches, as they deserve a separate text. Oh I have learned so much from these creepy creatures. And maybe sometimes you would find your mind frantically obsessed with wanting something it is not there; like chocolate, warm bread, ice cream, hot water, it could be anything that the mind takes as comfort. And at the same time you could have the grace of a simple, yet frightening insight, that there is nothing to resist. Magically understanding that the call of the forest, the call of life is that of surrender!

I have been here at the Temple for almost 2 months, teaching yoga, meditation, creative movement and the Brazilian way of hugging. I share the space with people from all over the world, from the native people of Peru, the Shipibo to travellers from Finland, Australia etc. There are several different worlds within this forested world, and each of these have shown me a different world inside myself. Sometimes I remember that I need to relax more in the hammock and just be, other times I feel my brain stretching with the various perspectives from different worlds. But perhaps the greatest learning of all comes from the joyful remembering to keep my heart open and free! I end it here with my heart beating with gratitude to all my teachers, humans and not humans, for their infinite source of wisdom and love. And finally I express my huge appreciation and gratitude for your practice. It comforts me to know that we are all looking for ways to live with more peace, love and connection with each other and our own heart.



#peruvianamazon #templeofthewayoflight #mindfulness #yoga #spiritualhealing #plantmedicine #ayahuasca

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Juliana Bizare

a path with heart